Os ambientes aprendizes e informados (AAI) são definidos como um conjunto de elementos virtuais ou físicos – espaços, reuniões, eventos, comunidades virtuais, entre outros – que agregam pessoas e instituições em contextos que estimulam o compartilhamento, a socialização e o intercâmbio de conhecimento. As relações estabelecidas nos ambientes aprendizes e informados expressam o capital intelectual das redes sociais da BVS, ou seja, os saberes acumulados pelas instituições e indivíduos que participam da construção coletiva da rede, em suas trajetórias institucionais e profissionais.

O objetivo principal dos ambientes aprendizes e informados é agregar esta dimensão de construção coletiva do conhecimento na BVS. Em consonância com o marco operacional da BVS, os AAI estão integrados com as redes sociais e de conteúdos ao mesmo tempo que promovem a articulação entre elas, fazendo com que estas três dimensões convirjam para uma única rede (ver A BVS como marco operacional de trabalho em rede).

Na BVS, a sustentabilidade das redes de conteúdos está diretamente relacionada com a intensidade da dinâmica de interações estabelecidas entre as redes sociais no processo de gestão e operação das fontes de informação. A partir da premissa de que o conhecimento é construído socialmente, as relações sociais assumem papel fundamental na sua geração. Portanto a abordagem e a implementação dos AAI ampliam a capacidade de superação do chamado “know-do gap”, isto é, de ultrapassar ou diminuir a lacuna entre o que se conhece e o que se pratica, ou ainda, entre o conhecimento e a ação. Nesta perspectiva, AAI são estratégicos para o desenvolvimento da BVS promovendo a capilaridade e retroalimentação entre as redes sociais e de conteúdos.

Os ambientes aprendizes e informados são desenvolvidos nos contextos das instâncias geográficas e temáticas da BVS, a partir do momento em que esta é apropriada como meio e espaço de compartilhamento de informação e conhecimento. Inicialmente, a adoção dos AAI se dá pelas redes sociais que participam da construção da BVS, por exemplo, pelo intercâmbio ideias de forma a integrar e buscar apoio dos participantes realinhando eventos de informação ou qualquer outra fonte de informação neste espaço.

Este entendimento mais geral sobre os AAI revela a importância de fomentar e potencializar as trocas e interações entre as redes sociais, fortalecendo de forma contínua sua capacidade de produção e gestão das fontes de informação na BVS.

Progressivamente, a BVS é incorporada como recurso de informação e conhecimento pelas instituições representadas nas redes sociais, promovendo a evolução e transformação destes espaços institucionais em ambientes aprendizes e informados. As instituições são estimuladas a incorporar e promover continuamente mecanismos que visam o intercâmbio e a transferência de conhecimento.

A dimensão de AAI subsidia a criação formal de condições e infraestruturas para que as instituições operem seus fluxos locais de informação de forma integrada com as fontes e fluxos de informação da BVS. Assim os AAI tendem a se expandir e a ganhar formas cada vez mais inter-retro-relacionadas.

No ambiente das organizações, práticas de interação entre indivíduos e mecanismos de transferência de conhecimento, como a transparência dos processos e fluxos de trabalho, gestão de projetos em rede, adoção de normas e políticas de gestão da informação, entre outros, ampliam a capacidade individual e coletiva de aprendizagem e aquisição de novos conhecimentos.

A solução de problemas que demandam inovação de processos, práticas, metodologias ou tecnológicas, em sua grande maioria, são desenvolvidos sem mecanismos que promovam o intercâmbio de informação e conhecimento. Os AAI dotam as organizações, ambientes e redes, com maior capacidade de registrar e sistematizar informação, assim como, com mecanismos para criação de novos conhecimentos, potencializando os processos de inovação em saúde.

Neste sentido, promover o acesso e uso da informação e conhecimento científico com a participação efetiva de pessoas e instituições, bem como o desenvolvimento de suas capacidades e infraestruturas por meio da BVS, contribui para a estratégia da Organização Mundial da Saúde (OMS) de redução e superação da brecha entre o que se conhece e o que se pratica para avançar em direção à equidade em saúde.

A gestão e operação de ambientes aprendizes e informados é baseada em um conjunto de linhas de ação, orientadas ao desenvolvimento das competências individuais e fortalecimento coletivo, descritas a seguir.